cabecario

O SINO DA IGREJINHA

Ouço ao longe,

das brumas do passado,

leves sons que ecoam

e vibram

e soam...

e vão, suavemente,

enchendo a solidão...

é o toque de um sino,

brônzeo e forte,

belo e nostálgico,

que vai de sul a norte,

em toda a imensidão.

Seis horas.

Toca o sino

e ecoa na montanha

o som vibrante...

É o sino da Igrejinha,

lá da minha terra,

ao pé da serra!...

Pássaros voam,

de volta aos ninhos,

e lentos flocos brancos

de nuvens que se espargem,

e se esgarçam,

e se desfazem

vão passeando

pelo azul infinito...

e a natureza inteira,

envolta em doce prece,

suavemente embala a noite.

As criaturas

emocionadas,

fazem o sinal da cruz,

um rogo,

um lamento,

uma prece.

Seis horas!

Paz bendita!

A noite chega.

é o dia que fenece.

 

Fortaleza, 22/09/1985

Natália Maria Viana Soares Lopes - Titular da Cadeira Nº 14 - Academia Ipuense de Letras, Ciência e Artes
Fonte: Academia Ipuense de Letras, Ciência e Artes

Ipu dos Antigos Preconceitos

Nos tempos que lá se vão, encontramos na nossa história aos mais hediondos fatos sobre preconceitos constituídos pelos nossos ancestrais na nossa sociedade.

A CASCATA

Maria de Jesus Viana

A CASCATA

Eu  também nunca escrevi
Um poema à terra amada...
Nem à musa dos poetas-
Bica esplêndida, encantada!

                        Minh’alma se extasia
                        Ao contemplar, enlevada,
                        Majestosa e imponente
                        A muralha de granito,
                        Que se curva, reverente,
                        Aos pés de Deus, despojada.

Sempre amei a minha terra
E admiro a cascata
Desprendendo-se da serra,
Dançando por sobre a mata,
Se  espreguiçando, brejeira,
Revoluteando, faceira,
Como moça enamorada.

                        Vai espargindo, ondulada,
                        Sua espuma de cristal,
                        Balouçando, voluptuosamente,
                        Seu vestido  transparente,
                        Num bailado sensual.

Lânguida, serena, translúcida
A água do Ipuçaba
soluçante se debruça
No alto da Ipiapaba.

                        E vem caindo de leve,
                        Espalhando-se na terra,
                        Adelgaçada e dispersa
                        Pelo côncavo da serra,
                        Refletindo em cada gota
                        Rútilos raios de sol
                        Transformando-se em prismas
                        Irisados de arrebol.

As ninfas que habitam as matas
Que se banham nas cascatas,
Nas noites enluaradas,
Adejam todas as flores
Salpicadas de mil cores,
Com nuanças prateadas...
Borrifadas pelo orvalho
Que a noite vem derramar,
Elas cantam e dançam, embaladas
Pela cantiga da Bica,
À luz azul do luar.

                        Nessas grimpas onde ainda ecoa
                        O brado de guerra selvagem
                        Tabajara na pocema...
                        Tal qual uma doce miragem,
                        A Bica doa, incessante,
                        Seu véu claro, esvoaçante.
                        Para enfeitar Iracema.

Fonte: AILCA

TEMPO

Nublado

28°C

Ipu

Nublado

Umidade: 52%

Vento 35.40 km/h

  • Trovoadas dispersas
    24 Novembro 2017 28°C 20°C
  • Parcialmente nublado
    25 Novembro 2017 30°C 20°C