cabecario

Sentença

  • Publicado em Sorria

A sentença que segue abaixo foi coletada dos alfarrábios do Instituto Histórico de Alagoas. Mostra a realidade dos julgamentos do final do século XIX.

SENTENÇA DO JUIZ MUNICIPAL EM EXERCÍCIO, AO TERMO DE PORTO DA FOLHA -1883.
SÚMULA: Comete pecado mortal o indivíduo que confessa em público suas patifarias e seus boxes e faz gogas de suas víctimas desejando a mulher do próximo, para com ella fazer suas chumbregâncias
. O adjunto Promotor Público representou contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Senhora San´Anna, quando a mulher de Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de tocaia em moita de matto, sahiu dela de sopetão e fez proposta a dita mulher, por quem roia brocha, para coisa que não se pode traser a lume e como ella, recusasse, o dito cabra atrofou-se a ella, deitou-se no chão deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará, e não conseguio matrimônio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreyo Correia e Clemente Barbosa, que prenderam o cujo flagrante e pediu a condenação delle como incurso nas penas de tentativa de matrimônio proibido e a pulso de sucesso porque dita mulher taja pêijada e com o sucedido deu luz de menino macho que nasceu morto.
As testemunhas, duas são vista porque chegaram no flagrante e bisparam a pervesidade do cabra Manoel Duda e as demais testemunhas de avaluemos. Dizem as leises (sic) que duas testemunhas que assistem a qualquer naufrágio do sucesso faz prova, e o juiz não precisa de testemunhas de avaluemos e assim:
Considero
que o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento, por quem roía brocha, para coxambrar com ella coisas que só o marido della competia coxambrar porque eram casados pelo regime da Santa Madre Igreja Cathólica Romana.
que o cabra Manoel Duda deitou a paciente no chão e quando ia começar as suas coxambranças viu todas as encomendas della que só o marido tinha o direito de ver.
que a paciente estava pêijada e em consequência do sucedido, deu a luz de um menino macho que nasceu morto.
que a morte do menino trouxe prejuízo a herança que podia ter quando o pae delle ou mãe falecesse.
que o cabra Manoel Duda é um suplicado deboxado, que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quis também fazer coxambranças com a Quitéria e a Clarinha, que são moças donzellas e não conseguio porque ellas repugnaram e deram aviso a polícia.
que o cabra Manoel Duda está preso em pecado mortal porque nos Mandamentos da Igreja é proibido desejar do próximo que elle desejou.
que sua Magestade Imperial e o mundo inteiro, precisa ficar livre do cabra Manoel Duda, para secula, seculorum amem, arreiem dos deboxes praticados e as sem vergonhesas por elle praticados e apara as fêmeas e machos não sejam mais por elle incomodados.
que o Cabra Manoel Duda é um sujeito sem vergonha que não nega suas coxambranças e ainda faz isnoga da incomendas de sua víctima e por isso deve ser botado em regime por esse juízo.
Posto que condeno o cabra Manoel Duda pelo malifício que fez a mulher de Xico Bento e por tentativa de mais malifícios iguais, a ser capado, capadura que deverá ser feita a macete.
A execução da pena deverá ser feita na cadeia desta villa. Nomeio carrasco o Carcereiro solte o cujo cabra para que vá em paz. O nosso Prior aconselha: "Homine debochado debochatus mulherorum inovadabus est sentetia qibus capare est macete macetorim carrascus sine facto nortre negare pote."
Cumpra-se a apregue-se editaes nos lugares públicos. Apelo ex-officio desta sentença para juiz de Direito deste Comarca.
Porto da Folha, 15 de outubro de 1883.
Assinado: Manuel Fernandes dos Santos, Juiz Municipal suplente em exercícios.

Tataz
Não sei, cumpade Xico, se vosmincê já recebeste esta notíça muito disagradave de um cabra qui andô naquele tempo fazeno imbuança cas muié dos ôto, ou mió, caçano imbuança cu marido, chambregança com a pobe. É pau no espinhaço desse cabra prá largá de ser imbuancero e caçano azá pula rua. Tá pensano o quê, né? Assinado TATAIS, o do beco do caburé Ipu - Ciará.

Chico Parnaibano
Cumpade Tatais,
Capado no macete, parece qui é cum dois pedacin de pau, qui nem alicate, vai ´pertando, pertando inté as duas bolinhas sartar fora do saco. E o cabra era roedor de brocha...
Lá naqueles tempo de 1958, na Fazenda Aoreira, pertin de Nova Russas, didonde meu Tio Cândio, tava fazeno uma barrage e eu vi os discos avoador, um sobrin da muíe rapariga do Cel Zé Linhares, butou as estrovengas dele pra fora e mijou na frente dua minina moça e da mãe dela, D. Anabela, muié de seu João Pereira. Já era de tardinha, quaje cinco horas, a cabocada tava tudin vortando da trabaieira do dia e ni qui quando souberam do acontecido sairam em disparada na persiga do mardito, homi se num fosse meu tio chegar na hora o cabra tinha morrido. Deram-lhe uma surra com com a rama do sabiá. Sabe o qui é sabiá? aquela madeira que os gaio é chei de ispin. - a madeira era muito usada para fazer caneco pra guardar cachaça - Apesar da seca, o sabíá tinha butado umas ramas qui ficavam muito grande qui nem um chicote de tangimento de animá. Apois foi cum isso qui o cabra foi açoitado, prumode num amexer mais cas muié dos outros. As costas do desgraçado ficaram em carne viva, e ainda pur riba toda cravejada dos ispin do sabíá.
Chico Parnaibano, do tempo da rua dda goela

Tataz
Apois bem, cumpade Chico Parnaibando, fez imbuança é levá pisa de treis perna de couro cru ou entonce de cacete de canela de viado, num seio se vosmincê cunhece, qui é maispió que sabiá, qui sabiá é cipó qui inverga, canela de viado, qui tem umas listra de riba inté embaixo, é mermo qui cano de papo-amarelo, duro qui nem o diacho, num inverga nunca mermo. Bateu fez o rego no lombo do caba qui simija todo na hora, cumpade. Quem manda fazer chambregança ca muié dos ôto, batê em muié qui num é sua, quem já se viu, home? Zelinhare era munto amigo do meu pai e do meu avô Anastaço Canabraba, batizado Anastaço Pêdo de Melo, Canabraba pruque dizium qui tinha nascido na Canabraba, hojindia Ararendá, e tomém pruque era caba valente, foi delegado em Nova Ruça, prendeu uns revoltoso, adispois lhe conto a estóra, quem me contô foi o finado cantadô e sofonêro, acuma era o nome dele, home, ali do Engém dos Belém, morreu isturdia com mais de cem ano, Zezé do Vale, Deus o tenha. Apois inté um dia eu preguntei pro Zezé qui istóra era aquela da musga dele Doloroza Renunça. Ele me dixe qui era mermo verdade, qui até os pai e mãe dele pensávum qui a muié era uma santa, mais porém num era, parece que... sei lá, cumpade, butou sei lá o quê, aqueles infeite nele, Deus olive, dexa prá lá, cumpade.Dêcha eu salembrá dereito qui eu conto procê. Num quero é levantá farso de ninguém. Mas o Zezé me contô a estóra da musga.
Disco avuadô já vi tomém, de vez inquando falo nisto, é um negoço munto bão, dízim qui são acuma os santo, os anjo, mandado pur Nossenhô prá mandá o povo tê riligião, ninguém sicunfeça mais, cumpade, num fais jinjum, num vai na miça domingo, fala mal dos ôto, jura invão, óia pa muié do prosmo, num pode, cumpade, num pode mermo, senão o cacete come lerdo e o inferno tá lá isperano o vagabundo qui fais isto, cumpade Chico Parnaibando. Salembro do Cândo Torre, teu tilho, ermão da tua santa mãe, véia alta, ca saia cumprida, casada cu careca do teu pais, o Parnaibando, mintiroso acuma pôca gente, fazedô de roupa acuma o Jorge teu tilho tomém, primo axo do meu amigo dinfança Ribamar Coré Cuêi, da Maria de Lurde, morávum tudo ali vizim da dona Chicuta e seu Mané Cuêi, dali inté entrá no Beco do Caburé só tinha aquelas casa véia fechada, eu nasci e micriei do ôto lado da trevessa, quem ia prá dona Biluca e Pedro Mororó, diziam qui tinha lepra e aparicia visage de noite dos povo qui morrêru de lepra, acho qui o nome do véi era seu Porfiro. Salembro munto pôco. Vinha na casa de dona Xicuta um tal de Simão, qui o povo dizium qui istudava belazarte no Ridejanêro, mais era maluco maluco, andava cum cipó bateno no lado da carça de casimira escura qui truchera do Rio. Dizíum qui dezenhava munto bem, era artista, mais sumiusse prá nunca mais num se vê falá, o Simão. Adeus, cumpade Parnaibando,quem munto iscreve num drome. Assinado seu Tatais, o do Beco do Caburé, Ipu, Ceará.

Observação do experiente João Antonio Martins
Ao Mestre Chico Parnaibano Na qualidade de cabra capadô de boi,carneiro ,bode ,à guisa de esclarecimento informo : MACETE PARA CAPAR BICHO RUIM 2- Pedaços de vara forte (jucá de preferencia ) 2- Pedaço de relho encebados 2- Cepos de pau-d'arco DA OPERAÇÃO 1- Pega-se os bagos do bicho, e prende naquele nervinho que faz a ligaçao ,manja? 2- Amarra-se os pedaços de vara um do outro com cerca de dez cm ( paralelamente uma da outra) 3- Torce-se as varas em sentidos contrarios uma da outra , até que os bagos fiquem bem retezados dentro do saco e o bicho dê uma bufadinha . 4- Bate-se com os cepos de paud'arco os marditos até soltar do nervinho e pronto. Oservação ; E melhor que capá cumfaca asim numpricisa PÓPATÁTAIO. oBSERVAÇÃO2: DAÍ NASCEU A EXPRESSÃO: bom cabrito não berra ! abraço jotamartins]

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